Archive for the ‘Versinhos’ Category

Dirce

A
Dirce
disse
que
o
quê
mais
gosta
é
demais,
bosta.

Visitando a residência dos Vasconcelos, em Rio Preto da Eva no Amazonas, conheci a pequena Dirce, uma loirinha de pouco menos de três anos. Saindo de seu quarto toda besuntada de uma pasta amarela, se aproximou das pessoas na sala no momento em que, agredidos pelo fedor, todos corriam para longe dela. Sobrou para a mãe, Geralda, a missão do asseio que, desconcertada, ouvia a filhinha dizer: “… gotoso, mãe, gotoso…”. (sex/19/set/2003)

Beco sem saída

O sabor do creme

para ela um crime.

Enfim, só restou a dor

diz a ela a flor

que perdeu seu perfume

por um exemplar de cardume.

Numa conversa com um proctologista amigo, após uma partida de dominó, ele me confidenciou (sem mencionar o nome) algo peculiar sobre uma paciente. Ela sofria de uma alergia no ânus que provocava um inchaço no órgão deixando-o com a aparência de uma flor, o órgão ficava tão retraído que impedia até mesmo a passagem de ar, estimulando flatulência. Tudo era causado pela alergia ao Creme de Pirarucu. Mesmo sabendo de seu problema, a senhora não conseguia resistir a opípara iguaria. (qui/05/abril/2007)

Vida finda

A todos tornou-se público

que ele não era único.

Para afogar a dor,

nada por favor,

decidiu de si vingar-se ainda

pois sem ela a vida era finda.

 

Escrevi estes versinhos em um guardanapo de papel em uma mesa de bar após ouvir a história de um garçom. Seu amigo cometera suicídio na semana anterior após sua namorada ter dito, na presença de todos os demais garçons, que ela o traia com o dono do restaurante onde ele trabalhava nos fins de semana. (seg/22/julho/2002)